Meio século da Embrapa Milho e Sorgo relembra trajetória, realiza homenagens e prospecta futuro com lançamentos de ativos
Solenidade de 50 anos reúne aposentados, colaboradores, autoridades e parceiros em momento de emoção, lembranças e orgulho das conquistas alcançadas e das que estão por vir
Lançamento de tecnologias para atender demandas do setor produtivo, homenagens e reconhecimentos a pessoas e instituições marcantes no passado e prospecções para liderar a agricultura sustentável e regenerativa no futuro marcaram a celebração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo na última quarta-feira, 11 de março. A trajetória iniciada em 14 de fevereiro de 1976 – quando o Brasil era um país que importava alimentos – após investimentos em ciência e em tecnologia, transformou o Cerrado na maior região produtora de alimentos do mundo. “Muitos acreditavam que os solos desse bioma eram improdutivos demais para sustentar uma agricultura forte. O desafio era enorme, mas os nossos pioneiros tinham algo ainda maior: visão e propósito. Eles acreditavam que a ciência tropical poderia abrir caminhos onde antes só havia incerteza e acreditavam que o conhecimento precisava sair do laboratório e chegar ao campo, ao produtor, à mesa das famílias, ao futuro do País. E hoje sabemos o resultado dessa aposta”, disse o chefe-geral Vinícius Guimarães em sua fala de abertura.
Em meio século, continua, “saímos de uma produção de 19 milhões de toneladas de milho para mais de 130 milhões. Saltamos de uma produção de cerca de 400 mil toneladas de sorgo para mais de cinco milhões desse cereal. Tecnologias desenvolvidas aqui, junto com os parceiros, ajudaram a transformar o Cerrado em um dos maiores celeiros agrícolas do mundo”, disse. Mas, como enfatizou Vinícius, essa história não é feita somente de números. “Ela foi construída por pessoas, pelos profissionais que passaram noites nos laboratórios tentando entender um gene, estudando uma praga, pelos que caminharam quilômetros em campos experimentais, pelos que, com as mãos na terra, garantiram que cada experimento fosse possível, pelos parceiros que acreditaram que investir na ciência era investir no Brasil”, comentou. “E talvez por isso celebrar os 50 anos não é apenas olhar para trás. É reconhecer que a ciência é um trabalho de gerações, que cada descoberta nasce sobre os ombros de quem veio antes e abre caminho para quem ainda virá. O passado nos trouxe até aqui e o futuro nos chama para ir mais além. Que os próximos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo sejam exatamente isso, uma nova caminhada com mais ciência, mais inovação, mais parcerias, com o mesmo espírito pioneiro que nos trouxe até aqui”, finalizou.
A diretora-executiva de Governança e Informação da Embrapa Selma Beltrão reconheceu a atuação da Embrapa Milho e Sorgo ao cumprir sua missão ao longo dos seus 50 anos e mostrou a evolução da Unidade. “Estamos contribuindo significativamente no desenvolvimento de bioinsumos, reduzindo nossa dependência dos insumos importados. Estamos trabalhando com soluções digitais que têm contribuído para a tomada de decisões estratégicas no campo e estamos atuando, como foi citado aqui pelo nosso secretário de Estado, em ações muito firmes de desenvolvimento regional, o apoio ao Movimento Central Mineira”, disse a diretora. O Movimento Central Mineira tem como objetivo transferir conhecimentos, tecnologias e promover conexões entre os diferentes atores, agentes e agência, para acelerar o desenvolvimento planejado da mais nova fronteira agropecuária do Brasil. Um termo de cooperação entre o Sistema Faemg Senar, Emater-MG e Embrapa já foi assinado com o objetivo de integrar esforços entre as partes para a realização de ações conjuntas que contribuam para o desenvolvimento do setor agropecuário nessa região de Minas Gerais.
Nesse contexto, o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais Thales Fernandes disse que o desafio é levar as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa a todos os produtores rurais. “Penso, como produtor rural que sou, e há muitos anos trabalhando no agro, que as tecnologias mudam realmente a vida dos produtores, mas nós precisamos trabalhar cada vez mais para que elas cheguem ainda mais para o pequeno produtor. Minas Gerais tem uma característica diferente dos outros estados, em que 90% das nossas propriedades tem até quatro módulos rurais. Então esse desafio se torna ainda maior”, disse. Segundo ele, o Movimento Central Mineira pode ser um dos instrumentos para vencer esse desafio. “A Central Mineira irá trazer uma visibilidade, um fomento, um incentivo para esses produtores transformarem essa região em uma região de referência, como nós já temos o Triângulo Mineiro, o Alto Paranaíba e, no sul de Minas, o café”, completou.
O prefeito de Sete Lagoas Douglas Melo relembrou a homenagem feita em 2024 pela Assembleia Legislativa à Embrapa pelos seus 50 anos; na época, ainda como deputado estadual. “Hoje estamos aqui celebrando essa data tão importante. É uma oportunidade de agradecer o trabalho da Embrapa que, para alguns, em muitas das vezes, é invisível. Penso que na política podemos discutir bandeiras, opiniões, mas nós não podemos discutir o resultado do estudo, o resultado de quem está debruçado todos os dias em desenvolver algo para a humanidade”, disse. O prefeito ainda reconheceu o papel da agricultura e da Embrapa no desenvolvimento do Estado. “Quando olhamos para a nossa região, para o desenvolvimento de Sete Lagoas, na posição que ocupa em uma das 10 maiores economias do estado, não é somente pelas nossas indústrias ou pelo setor de ferro gusa, que é o maior de Minas. Temos uma agricultura muito forte e conseguimos números relevantes porque ao nosso lado sempre tivemos a Embrapa”. E finalizou: “a ciência é resultado de quem quer ver um mundo melhor. A nossa região só está onde está também graças à Embrapa Milho e Sorgo e a esses profissionais que amam a Empresa e que constroem um Brasil melhor”.
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